Governo pode retirar TR de crédito imobiliário

A equipe econômica estuda retirar a Taxa Referencial (TR) do indexador que corrige os financiamentos imobiliários para que os mutuários se beneficiem das mudanças que deverão ocorrer na fórmula de cálculo da correção da caderneta de poupança, revela reportagem do Globo, na edição desta quarta-feira. A avaliação é a de que, ao se reduzirem os ganhos da poupança, os bancos terão acesso a recursos mais baratos para financiar a compra da casa própria e, por isso, o benefício deve ser repassado ao cliente. Atualmente, as instituições financeiras são obrigadas por lei a destinar 65% do saldo da aplicação a empréstimos imobiliários.

A equação, porém, não é simples, pois a intenção da equipe econômica é estender a alteração de indexador para os contratos já em vigor. Tanto quanto as alterações referentes à caderneta, estas precisam da aprovação do Congresso.

As mudanças na poupança estão sendo preparadas pelo Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda e foram oficialmente confirmadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira, em Nova York. O objetivo principal é evitar que grandes investidores - como os estrangeiros e os fundos de pensão - migrem para a aplicação, cuja remuneração já está maior do que a de muitos fundos.

Um integrante da equipe econômica afirmou ao GLOBO que estão sendo avaliadas também saídas para permitir aos mutuários com contratos já vigentes negociarem com os bancos a migração para a nova forma de correção que está sendo desenhada. Mas o Executivo sabe que é difícil, por se tratar de contratos já em vigor.

O fim definitivo da TR, porém, está descartado porque muitos contratos, inclusive privados, têm a taxa como indexador.

Fonte:O Globo Online, 18/mar